Acordei e pensei em te ligar. Cheguei a discar aqueles oito números que não saem da minha cabeça, mas antes que você atendesse resolvi desligar. Afinal, o que eu diria?
Fiquei pensando na nossa situação, em tudo o que vivemos e passamos juntos. Será que, assim como eu, você sente que o futuro não será longo para nós? Que poucas coisas ainda seguram esse relacionamento e que elas estão mais ligadas ao medo de colocar um ponto final do que ao amor em si? Ou como várias outras coisas você também não consegue enxergar isso? Você sempre foi tão acomodado; não duvido que não perceba que as coisas já não são mais as mesmas entre nós...
Ainda na cama, com o telefone na mão lembrei do início de tudo. Quando nos conhecemos tudo era motivo para passar horas ao telefone, ou no café tomando um irish coffee, ou simplesmente fazendo nada, desde que fosse um com o outro. Nossas bocas não se desgrudavam, nossos corpos pulsavam no mesmo compasso. Era uma época feliz!
Agora fico tentando lembrar em que momento passamos a ficar em silêncio, em que momento nossos corpos pararam de se procurar com tanta intensidade, em que momento tudo se perdeu?
O som do telefone me despertou dos meus devaneios. Era minha mãe, querendo saber se nós iríamos ao churrasco de aniversário da vó. Agora eu tinha um motivo para te ligar.
Liguei e combinamos que você passaria aqui em casa dentro de 30min. Levantei e fui tomar um banho, planejando que roupa usar e sabendo que assim que você chegasse eu me jogaria em seus braços, te beijaria loucamente e que você tentaria me convencer a esquecer o churrasco e passar o fim de semana inteiro debaixo das cobertas com você. Eu diria que não podia desmarcar assim, em cima da hora e íriamos para o churrasco como um casal feliz e a crise matutina desapareceria, como o vapor do banho quente!



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